Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até
Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o
pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem
contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais
jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até
Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de
um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à
qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger,
tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas,
estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador
apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que
parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia
transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago.
Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos
acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os
balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o
culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as
personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob
a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser
confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só
poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.